• Rogerio Gonzales

Comunidades de prática em cheque

Atualizado: Jan 7

Uma formatação centralizada e movida a recompensa que tiram o potencial dos seus integrantes pode ser considerada uma comunidade de prática?

Sou membro de uma comunidade de prática construída em torno da expertise do organizador. Lá, paga-se para participar em troca de vídeos temáticos e um espaço de interação entre os integrantes em uma rede social.


O fundador, enquanto expert, trabalha como consultor, e uma consultoria individual é sorteada periodicamente entre todos os integrantes da comunidade. Essa também é uma das formas de gerar valor para os assinantes, e foi com objetivo de incentivar a participação dos membros e retroalimentar o sistema que foi lançada a seguinte campanha:

 

O sorteio deixaria de incluir todos os membros, e passaria a contemplar apenas aqueles que mais interagissem de forma regulatória. Ou seja, para concorrer a uma consulta individual com o expert, o participante deveria filtrar o maior número conteúdos pertinentes à comunidade e chamar atenção dos outros membros para as regras de publicação de posts.

 

Em menos de 24 horas a campanha teve que ser cancelada. Alguns participantes estavam atuando fora de contexto e buscando posts antigos para cobrar as regras da comunidade. Posts publicados há mais de dois anos e escritos antes das regras e diretrizes estavam sendo retomados para burlar as normas do sorteio. Instaurou-se o caos.

 

Diga-me como me medes e te direi como me comportarei.


Em seu vídeo de cancelamento da campanha, o líder da comunidade demonstrou estar frustrado com a atitude dos demais membros. Segundo ele, os participantes foram infantis e não agiram de maneira razoável.

Ora, não vejo nenhum distúrbio de comportamento por parte dos participantes. Inclusive comportamentos como o deles, que levam ao extremo as regras e são "bem-sucedidos", normalmente são valorizados. Foi o caso, por exemplo, do engenheiro estadunidense que em 2013 comprou 12.150 copos de sobremesa de chocolate e os converteu em 1.25 milhões de milhas para viajar.

 

Esse tipo de conduta pode se repetir nas organizações quando um líder centralizador pensa em criar engajamento e cumprir prazos por meio de gratificações (e nada contra a centralização, apenas a capacidade de decidir e o poder de recompensar que estão em jogo aqui). Esse líder poderá julgar conveniente propor algo como:

 

- Todos que entregarem seus trabalhos no prazo receberão um dia de

folga.

 

Nesse formato, os indivíduos obviamente começarão a testar o sistema e fazer entregas menores para obter folgas. Mesmo assim o líder ficará abismado pensando que os indivíduos acabam com todas as boas ideias, e além de retirar a campanha, possivelmente irá passar a perseguir um ou outro funcionário que tenha conseguido se beneficiar durante a janela.

Como movimentos como esses irão fomentar a colaboração? Em seu livro Menagement 3.0, Jurgen Appelo sugere a adoção de um crowdfunding interno em que o papel do gerente não é escolher a melhor ideia de uma caixa de sugestões, mas fomentar que boas ideias surjam.


Assim, ao invés da caixa de sugestões convencional que conhecemos, os colaboradores tem um orçamento individual com o qual podem escolher em qual projeto/ideia eles preferem investir.

 

Ainda assim é desconcertante sair do modelo mental de controle e indução de comportamento para uma nova mentalidade, e esse deve ser o desafio do líder. É preciso pensar em como incentivar o florescimento do potencial criativo e executor dos indivíduos e transformar o sistema do qual ele mesmo faz parte.

 

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LA REDE - Laboratório de Redefinição

 

Porto Alegre - RS, Brasil

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